terça-feira, 17 de abril de 2012

As Cearenses - 01x01 - A Iludida do Iguape




Iguape 04:30 a.m

Sabrina acordou sorridente. Levantou-se rapidamente da cama e caminhou em direção ao espelho. “Estou horrível. Toda assanhada”. Correu para o banheiro e tomou um bom e demorado banho. Parada na frente de seu closet pegou seu melhor vestido. Aquele vermelho bem curto que ela só usava em ocasiões especiais.
Estava novamente na frente do espelho. “Agora sim. Estou linda!” Passou um batom discreto em seus lábios carnudos. Abriu aquele sorriso que deixava a mostra seu aparelho de correção dentária. Deu o último retoque em seus cabelos castanhos ondulados. “Pronta!”
 Sabrina estava definitivamente de arrasar. E era isso o que ela realmente queria. Queria arrasar.

Fortaleza 07:15 a.m

Chegou cedo à faculdade. Nem sequer tomou o café da manhã. Queria deixar tudo planejado para aquele grande momento. “É hoje! De hoje você não me escapa.” Fabrício tinha que ser dela hoje. “Não é possível que um cara gato como Fabrício não sinta o mínimo de interesse por mim. Eu sou tão gostosa.” Pensou.
 Sentou-se à mesa e repassou os últimos detalhes de seu plano a sua melhor amiga Priscila.
- Você entendeu tudo direitinho Pri?
- Entendi. Ele vai chegar e eu vou dizer que você está na sala 301, terceiro andar. Tem certeza que ninguém usa mesmo aquela sala Sabrina?
- É claro que tenho! – disse Sabrina sorrindo. - Falei com a Luiza. Esqueceu que o marido dela trabalha aqui e sabe de tudo o que acontece na faculdade? Ela me garantiu que o terceiro andar está em reforma e que nenhum aluno tem aulas nas salas de lá.
Priscila concordou com a cabeça e continuou:
- Você acha que esse plano vai dar certo mesmo amiga? Ele já assumiu que é gay. Todo mundo sabe disso. E mesmo assim, você continua com essa paranoia de querer levá-lo para cama. De transformá-lo em homem.
- Você está aqui para me ajudar ou para me atrapalhar Priscila? – perguntou Sabrina com raiva. – Eu já falei para você. Nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida, vou transformar Fabrício em hetero. Ele nasceu para ser meu. E vai ser hoje. De hoje não passa amiga.
- Ok. – concordou Priscila impressionada com a reação da amiga. Ela estava totalmente convencida de que seu plano daria certo. - Então, tudo o que eu posso fazer é desejar boa sorte.
Sabrina levantou-se e caminhou em direção ao seu plano diabólico. Priscila continuou na mesa, reunida com uns amigos, quando Fabrício chegou.
- Bom dia!
- Bom dia Fabrício. Tudo bem? – perguntou uma garota que estava sentada próxima a Priscila. As duas não se falavam muito bem.
- Sim, tudo ótimo. Onde estão os outros? - Perguntou ele percebendo a falta de alguns amigos.
- Ainda não chegaram. – respondeu a menina sorridente.
Fabrício pegou uma cadeira da mesa ao lado e juntou-se com os demais. Percebeu que Priscila estava meio esquisita e perguntou:
- Tá bem Pri? Até parece que está em outro planeta.
- Estou sim, por quê? – perguntou ela meio ríspida com o amigo.
- Por nada. Só achei que... Sei lá. Tá estranha. – Ele continuou olhando-a fixamente e viu que seu rosto havia passado de um branco pálido para um vermelho claro. – Esquece tá? Deve ser impressão minha.
- É! Deve ser impressão sua. – Falou ela tentando disfarçar. Fabrício tentou não olhar mais para ela, na esperança de que seu rosto voltasse ao tom normal.
Quando o celular de Fabrício toca, Priscila se assusta, deixando-o ainda mais intrigado. Ele olha fixamente para o celular e em seguida olhando para a amiga, diz:
- É da Sabrina. Ela está pedindo para eu encontrá-la na sala 301, terceiro andar. Gostaria de ir comigo?
- Não! – respondeu a Priscila ainda mais nervosa. Seu rosto agora parecia um tomate de tão vermelho que estava. - Quero dizer, não vai dar pra eu ir com você. Tenho que ir à xerox imprimir um trabalho. É pra entregar hoje.
- Ok! Então eu vou lá. Te vejo no intervalo?
- Sim, sim. Nos vemos logo mais.
Fabrício levantou-se e caminhou em direção ao terceiro andar. Priscila apenas o encarou, enquanto ele subia as escadas que davam acesso ao terceiro andar.
- Boa sorte minha amiga! – pensou ela.

***
Fabrício abriu a porta da sala 301 e percebeu que estava tudo escuro. Não conseguia enxergar muita coisa no meio daquela bagunça toda. As carteiras estavam cobertas de poeira. Tudo estava muito sujo. Parecia que a sala não era limpa há meses.
- Sabrina? Você está aqui? – perguntou ele entrando e procurando o interruptor para ligar a luz.
- Estou aqui Fá. Aqui no final da sala.
Ele caminhou em direção à garota, sem entender o motivo de ela estar trancada em uma sala escura e suja sozinha.
- O que você está fazendo aqui nessa sala escura Sabrina? Esse andar está em reforma e você sabe muito bem disso.
Ele encontrou-a sentada em um tapete velho, que ao que tudo indicava, ela mesma o havia colocado ali para que não sujasse seu vestido vermelho curtíssimo.
- É claro que eu sei disso Fabrício. – falou ela levantando-se e encarando-o – E foi exatamente por isso que eu escolhi esse lugar. Para que nós pudéssemos ficar a sós.  Sem ninguém para nos atrapalhar.
Fabrício começou a entender o que Sabrina estava planejando fazer com ele. Ele olhou rapidamente para a porta da sala e em seguida, olhando para ela, falou:
- Já havíamos tido essa conversa Sá! Você sabe muito bem quais são as minhas preferências e você até mesmo já havia me dito que tinha entendido essa situação e que íamos ser apenas amigos. Não foi?
Sabrina continuava sorrindo para Fabrício que, de vez em quando, olhava para a porta da sala. Ela percebeu e antes que ele pudesse fazer algo, correu em direção à porta e a trancou, escondendo a chave dentro do sutiã.
- O que você pensa que está fazendo Sá? Me dá essa chave agora mesmo. – pediu ele impaciente.
- Não mesmo Fabrício. – discordou a garota. - Você não sai daqui sem antes termos uma conversinha muito séria.
- Que conversinha Sabrina? – Fabrício estava realmente ficando irritado com toda aquela situação. – Qual a parte de que EU NÃO GOSTO DE MULHER você não entendeu? EU SOU GAAAAY! Entenda isso de uma vez por todas.
- Você não é gay Fabrício. – insistiu a garota. – Você não pode ser! Você é tão lindo. Eu não consigo acreditar que alguém tão... Tão homem como você é, não se interesse por alguém como eu. Logo eu Fabrício? Os garotos dessa faculdade morrem quando recebem um simples sorriso meu. E justo você, pra quem eu quero dar muito mais que um sorriso, vem me dizer que não gosta de mulher? Que é gay? Pois bem Fabrício. Eu não aceito isso. Eu vou te provar que você pode sim, gostar de mulher. Gostar de mim.
Fabrício estava perplexo. Não queria acreditar naquilo tudo que estava acontecendo. Respirou fundo e tentou falar pausadamente, sorrindo para Sabrina:
- Sá, você mesma disse. Você é linda! Tem milhares de garotos nessa faculdade que dariam tudo pra te fazer feliz. Podem gostar de você da maneira que você realmente merece.
- Mas eu não quero esses garotos Fabrício. – o interrompeu. - Eu quero você!
- Mas a mim você nunca vai ter. Simplesmente porque eu não gosto de garotas. Eu gosto de garotos. Entenda isso, por favor.
Sabrina sorriu para Fabrício e disse olhando profundamente em seus olhos.
- Você está falando isso porque nunca viu uma mulher como ela verdadeiramente é seu bobo. Quero dizer, por trás dessas roupas. – disse ela apontando para o vestido que usava. – Mas foi exatamente por isso que eu o trouxe aqui.
- Para que você... Me trouxe aqui... Sabrina? – Perguntou ele assustado, mas já imaginando a resposta.
A garota sorrindo levou as mãos por dentro do vestido e vagarosamente tirou a calcinha vermelha de renda que usava e a jogou no rosto de Fabrício. Sorrindo ela falou:
- Para que você pudesse me ver como eu realmente sou. Tenho certeza que, depois que eu te mostrar, você irá mudar completamente essa sua opinião ao meu respeito. Não só ao meu respeito, mas também ao de todas as garotas.
Fabrício balançava a cabeça chocado. Com a calcinha de Sabrina nas mãos ele falou praticamente implorando:
- Por favor, Sá, não faça isso. Por favor!
A garota sorriu, mas fingiu não ter ouvido o pedido do amigo. Lentamente subiu o vestido vermelho que usava, ficando completamente nua da cintura para baixo. Usava apenas um sutiã vermelho de renda com bojo, que realçava ainda mais seus seios fartos.
- E então Fabrício? – perguntou ela ansiosa. – Ainda possui o mesmo pensamento de antes com relação a mim? – Ela aproximou-se mais dele.  – Vem! – estendeu as mãos para ele. - Eu deixo você tocar nela! Vem Fabrício. Pega!
Fabrício continuou parado, perplexo. Não conseguia tirar os olhos. Não conseguia falar nada.
- Fabrício? Você está bem?
O garoto continuou calado.
- Você está me assustando Fá. Não vai fazer nada?
Quando finalmente ele conseguiu olhar para ela, falou quase num sussurro:
- Eu acho... Que eu... Vou... Desmai...
E caiu no chão desacordado.

***
Estavam todos sentados na mesma mesa de sempre. Priscila e Sabrina pareciam rir de alguma coisa muito engraçada. Priscila olhou para trás e disse:
- Olha Sá. Parece que o Fabrício e esse tal de Bruno estão mesmo namorando em?
Sabrina olhou para as mesas que ficavam atrás dela e avistou Fabrício e Bruno. Os dois sorriam enquanto comiam.
- Agora é Bruno pra lá, Bruno pra cá. – disse ela. – Não aguento mais ouvir o nome desse garoto.
- Mas pelo menos vocês estão bem. O que importa é que o Fabrício te perdoou mesmo depois daquilo tudo que você aprontou pra ele. Onde já se viu? – disse Priscila sorrindo. – Ficar nua na frente dele. E mais... Querer que ele pegasse na sua... Ahahaha...
Priscila gargalhava como nunca. Sabrina sorriu ironicamente e em seguida falou:
- Vai rindo vai! Quero ver se um dia isso acabar acontecendo com você também. Ai sim. Eu quero só ver o que você vai fazer.
- Ok amiga. Mil desculpas. – disse Priscila tentando se recompor. – Você tem razão. Isso é algo que pode acontecer com qualquer um. Mas me diz uma coisa Sá? Já se passaram dois meses. Você tem certeza que não sente mais nada por ele?
Sabrina olhou para a amiga sorrindo e disse:
- Já disse que não Pri. Agora meu foco é outro. E como o Fabrício mesmo me disse, o que não falta nessa faculdade é homem bonito. E olha! Ali está o meu novo amor. Ele não é lindo?
- Quem? - Perguntou Priscila olhando em volta, mas parecia não avistar ninguém em especial.
- Aquele de camisa azul sua tonta.
Priscila olhou para o garoto que Sabrina apontou e em seguida olhou para amiga.
- O Marcelo? Sério Sabrina? Você está me dizendo que está afim do Marcelo?
Sabrina sorrindo falou:
- Eu sei, eu sei. Ele é gay. Mas dessa vez é diferente. Com esse vai dar certo amiga. Eu tenho até um plano Pri. E você vai me ajudar.
- Eu?
- Sim! Você.  Com o Fabrício pode até não ter dado certo, mas eu tenho certeza de que dessa vez, eu transformo a Marcela em Marcelo.



By: Emanuell Andrade



Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkk. Muito bom esse conto. Não vejo a hora de sair o próximo. Vai ser qual em?

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